Em entrevista ao UOL News nesta terça-feira (23), o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, criticou as medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para Mello, a determinação do uso de tornozeleira eletrônica é "inimaginável" e representa um “excesso” por parte do Judiciário.

"Na minha visão, é inconcebível ver um ex-presidente da República usando tornozeleira eletrônica. Ele não representa risco à sociedade e nem há ameaça de fuga, já que seu passaporte está sob custódia do Supremo. Isso não condiz com o espírito democrático que deveríamos viver", afirmou o ex-ministro.

Mello apontou ainda que a medida tem caráter punitivo e atinge diretamente a dignidade do cidadão. “É uma ação que mais se assemelha a uma penalidade do que a uma cautelar, e que fere a imagem institucional do Judiciário”, acrescentou.

Leia Também:

O ex-ministro também criticou o que chamou de "centralização excessiva" nas mãos de Moraes e alertou para os impactos dessa concentração de poder sobre a imagem da Suprema Corte.

"Há uma concentração preocupante nas relatorias. Eu não gostaria de estar na pele do ministro Alexandre de Moraes, nem na dos demais integrantes do Supremo. Eles deixaram de ter cidadania: não conseguem mais circular livremente sem sofrer hostilidade nas ruas. Isso é um sinal de que algo está fora do eixo", afirmou.

Mello relembrou que o presidente Lula, quando foi alvo de processo, foi julgado na 13ª Vara Federal de Curitiba e não diretamente pelo Supremo. Segundo ele, isso evidencia uma inconsistência nos critérios de competência jurídica. “Não houve mudança na legislação. O Supremo tem a palavra final sobre a Constituição, mas não deve usurpar competências. Isso cobra responsabilidade, porque o exemplo vem de cima", disse.

O jurista concluiu dizendo que a História irá cobrar do Supremo Tribunal Federal os "excessos de atuação" e alertou que o atual cenário representa um mau exemplo para o restante do Judiciário.

FONTE/CRÉDITOS: UOL